Logo Desengarrafando Mentes

Por que fazemos

Existe um enorme potencial engarrafado nas periferias do Brasil.

Crianças, jovens e famílias inteiras com talento, criatividade e vontade de crescer, mas sem as portas certas abertas na frente deles.

A Desengarrafando Mentes existe para abrir essas portas: esporte, educação, cultura e consciência socioambiental como ferramentas concretas de transformação.

Mulher de costas olhando para estantes de livros em uma biblioteca comunitária

Esporte

Disciplina, pertencimento e saúde

Levar esporte para dentro das periferias é ocupar um vazio que o Estado, hoje, não consegue preencher sozinho.

1

Aproximadamente 5,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros não praticam esporte de forma regular (dado atribuído ao Ministério do Esporte, 2023)

2

A parcela de escolas públicas sem quadra esportiva é alta, mas o número exato varia conforme a fonte e o ano do levantamento (o Censo Escolar já registrou de ~36% a ~65%, dependendo do recorte).

3

81,3% das pessoas com deficiência na mesma faixa de vulnerabilidade não têm acesso a programas de esporte adaptado. 

4

88% dos brasileiros veem o esporte como ferramenta direta de transformação social, e 35% apontam que ele desenvolve socialização, respeito mútuo e cooperação comunitária.

Onde o poder público não chega, o terceiro setor entra: usando o esporte para reforçar disciplina, desempenho escolar e coesão territorial dentro das comunidades.

Educação

A base que ainda falta

As organizações sociais atuam exatamente onde o Estado tem gargalos históricos de infraestrutura.

1

Apenas 30,4% das escolas públicas têm internet com velocidade adequada para o ensino. 

2

Apenas 34% das escolas de educação básica têm laboratórios de informática funcionando.

3

Mais de 36 mil unidades escolares públicas fecharam nos últimos 25 anos. 

4

A evasão escolar recente tirou mais de 420 mil alunos das redes estaduais de ensino. 

Estudos econométricos sugerem que a presença de organizações da sociedade civil em parceria com o poder público melhora, de forma mensurável, os índices de aprendizagem e ajuda a preencher o contraturno escolar. Programas de organizações como a Fundação Abrinq, por exemplo, já teriam beneficiado diretamente mais de 9 milhões de crianças e adolescentes no país. Além disso, atuar na ponta dá às ONGs a flexibilidade para testar metodologias pedagógicas que depois podem ser replicadas em maior escala pelo próprio poder público.

Cultura

Identidade e pertencimento

O acesso à cultura no Brasil é geograficamente e racialmente desigual.

1

44% da população preta e parda vive em cidades sem cinema, e 37% sem museus — contra 34% e 25%, respectivamente, entre a população branca. 

2

Mecanismos de incentivo fiscal concentram cerca de 88%–90% dos recursos em regiões centrais, deixando as periferias à margem do financiamento direto. 

3

30% dos brasileiros deixam de ir a eventos culturais por falta de dinheiro, e 31% por medo da violência urbana ou falta de transporte adequado. 

Por outro lado, favelas e periferias movimentam bilhões de reais por ano em economia criativa — a arte local funciona como motor de empreendedorismo e valorização identitária para os jovens. Bibliotecas comunitárias, saraus e projetos artísticos atuam como redes de apoio e proteção contra a vulnerabilidade social, além de ajudar a corrigir o racismo estrutural e territorial no acesso à cidade.

Educação socioambiental

Proteção e emancipação

Territórios periféricos sofrem desproporcionalmente com a falta de infraestrutura verde e com eventos climáticos extremos — e a escola pode ser um polo de resiliência comunitária.

1

Segundo um estudo do Instituto Alana, 51% das escolas em áreas de risco climático têm maioria de estudantes negros, contra apenas 4,7% entre as escolas de maioria branca.

2

Cerca de 52,4% das escolas em favelas brasileiras não têm nenhuma área verde no terreno.

3

Mais de 370 mil estudantes das capitais estão matriculados em escolas vulneráveis a enchentes e deslizamentos.

4

Segundo a PNAD, mais de 665 mil crianças e adolescentes pretos e pardos estão fora da escola no Brasil — nas mesmas regiões com os piores indicadores socioambientais.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já trata a educação socioambiental como uma das 10 competências gerais obrigatórias da educação básica — mas transformar isso em prática real, dentro da comunidade (hortas, mutirões, cultura de cuidado com o território), é o que de fato reduz risco e gera autonomia para quem mora ali.

Por isso existimos

Esporte, educação, cultura e consciência socioambiental não são frentes separadas.

São partes do mesmo problema e da mesma solução: dar às periferias o acesso que, por omissão histórica do Estado, ainda não chegou. A Desengarrafando Mentes trabalha para abrir essa garrafa.